sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Apaixone-se

Eu queria que as pessoas parassem de fugir
toda vez que eu digo “eu gosto de você”.
Parassem de fugir
toda vez que eu ligo e pergunto:
“Vamos sair?”

Eu queria que as pessoas parassem de se preocupar
com o que os outros vão dizer sobre sua roupa,
seu cabelo e o seu sapato.
Queria que elas se preocupassem mais
com as cicatrizes do seu coração partido,
e se abraçassem mais no frio.

Eu queria que as pessoas parassem de mentir.
Não tem mistério.
Se você ama,
não engana certo?
Que parassem com essa bobagem
de falar que tem que ter coragem pra amar.
Não, não e não.

Para amar, basta sonhar e acreditar.
Queria que as pessoas parassem de usar o medo
como fuga para não se envolver.
Apenas mais uma desculpa para desaparecer.
Eu não sei como, e eu não sei porquê.
Queria entender como você foge de alguém
que ama você?

Pois é.
No fundo, todo mundo sabe.
A razão foge.
O coração se envolve.
Queria que parassem de dizer:
“Você é a pessoa certa, mas no momento errado”.
Esse “bla bla bla” não da mais para escutar.
Sempre as mesmas desculpas no ar.

Eu queria mais sinceridade
neste mundo cheio de vaidade.
Queria que não precisasse existir uma campanha
“Não use maquiagem.”
Que bobagem.

Você usa e faz o que quiser.
A liberdade é que faz de você uma mulher.
Eu queria que as pessoas valorizassem mais o outro
em vez do corpo.
Que as pessoas parassem de ir atrás de quem foi embora,
fechou a porta e jogou a chave fora.

Eu queria que as pessoas olhassem no espelho e gritassem:
“EU AMO VOCÊ”.
A plenos pulmões novamente:
“EU AMO VOCÊ”.
Eu queria que as pessoas
fossem mais que um caso de uma noite.
Que só valeu a pena
se tiver terminado na cama.

Eu queria que as pessoas se abraçassem mais.
Que transassem com intimidade.
Que trocassem olhares em vez de mensagens.
Eu queria um mundo com mais sussurros no escuro.
Queria que você me ligasse para dizer:
“Quero te ver agora. Vamos. AGORA. ”
Não importa a hora.

Queria que as pessoas gostassem mais uma das outras.
Que se apaixonassem pelo jeito
e não julgassem os defeitos.
Ninguém é perfeito.
Eu quero que no último dia da sua vida
você possa sorrir e dizer:
“Eu fiz tudo o que eu queria fazer.”

A vida vai passar.
Atrasar o relógio não faz o tempo voltar.
Então, não deixe aquele momento perfeito,
ser arruinado pelo medo.

Arrisque. Não pare.
A vida é uma, é sua.
Espero que entenda.
Se você ama, então vá.
Se envolva.

E se for possível,
escreva isso bem grande no seu espelho.
Pra você,
e pro mundo inteiro.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eu sou hipócrita


Eu desejo um mundo melhor, mesmo sabendo que o melhor não será o bastante.
A criança que eu fui ontem diria que o adulto que sou hoje é vergonhoso, medíocre e degradante.
Eu anseio vencer o câncer com alcatrão, monóxido de carbono e Nicotina.
Espero que meu alcoolismo finde com um copo de whisky servido puro no bar da esquina.

Doar sangue não faz de mim um herói.
Enquanto eu apenas assisto um amigo que aos poucos se destrói.
Eu sou hipócrita e essa hipocrisia me corrói.
Até quando eu derramo lágrimas lendo um romance da Marcela Godoy.

Mesmo criticando a força superior, no seu lugar eu faria exatamente igual.
Fico diminuto perante os outros enquanto carrego dentro de mim um coração abissal.
Eu desejo um mundo melhor, mesmo sabendo que o melhor não será o bastante.
Espero que a criança que eu fui ontem perdoe o adulto que sou hoje para que minha história se encerre neste instante.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Eu, Deus

O princípio supremo de explicação da existência. O ser perfeito dotado de onisciência, onipotência e onipresença que se auto-intitula Deus.
A fonte de toda fé, a resposta para as perguntas insolúveis.
Tendo apenas o infinito como limite, sem nenhuma delimitação, e ainda assim, Ele concebeu vida a uma raça imperfeita, infausta e vil denominada humanidade. Uma espécie que não consegue sequer viver pacificamente entre si.
E no fim de seu tédio, o criador de tudo e de todos levará a sua própria criação a extinção.
Sem benevolência, comiseração ou pejo.
E assim, nos encontramos em uma dúvida que se divide em três distintas e diferentes partes sobre o nosso fim.
"Nossas almas vão para o Paraíso, o Inferno ou não há simplesmente nada após a morte?"
Se nascemos pelo excêntrico desejo de um Pai que queria ter filhos para amar, porque este mesmo Pai nos desampara deixando nos ao léu?
Não que eu seja desagradecido, pelo contrário. Sou extremamente grato pela minha vida, mas verdade seja dita, tendo em mãos as possibilidades que Ele tem, eu criaria um mundo no mínimo súpero ao nosso.