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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Fogo

Eu vejo amores que já nascem moribundos, laços que se soltam quanto é executada a última canção e paixões que duram até que a brasa do cigarro alcance o filtro. Eu vejo reflexos de uma geração perdida que, em relação ao amor, muito se fala sobre o substantivo, mas pouco se faz pelo verbo. Nas garrafas, os líquidos estão pela metade. Coincidência, meu coração também.

No pulso, ouro; no abraço, couro; cigarro nas mãos. As luzes estão piscando, os olhos procurando, a boca esperando. Aqui não há vítimas unilaterais, nem vilões: todos fazem os dois papeis. A caça e o caçador vivem em harmonia. Aprenderam: por aqui, não há quem ganhe com imposição; ganha-se negociando.
A cabeça está confusa, não pela baunilha, mas por não saber o que quer. Em meio a dezenas de corações, de histórias e motivos diferentes que os levaram ali, você só tem o seu. Sorrisos, novamente, escondem a verdade.

Levanta-se com o copo, tira do bolso o isqueiro e o cigarro, o som da banda distancia, enfraquece. Até que é quebrado por uma pergunta:
_ Você tem isqueiro?
Na verdade, muitas vezes o isqueiro é apenas o álibi de uma armadilha que a presa, dessa vez caçador, faz à outra. Seria mais fácil se, ao invés de pedirmos o isqueiro, pedíssemos um pouco de amor e fossemos atendidos. Mas não. A presa à sua frente, vulnerável. Ame-a, complete-se, complete-a…
_ Tenho.

Tantas coisas a serem ditas, gestos a serem feitos, tantos sorrisos. Apenas emprestou. A presa acendeu sua arma autodestrutiva e se foi. Talvez ela só quisesse o isqueiro, talvez não. Quando irás descobrir? Quando aprender a negociar o fogo. 

Alguém disposto a acender meu cigarro?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mais que amor

Acho que vou te esquecer e te coloco em uma vírgula errada no meio de um texto. Eu já tentei te apagar do meu pensamento, mas, como você pode ver, a tentativa foi frustrada. Eu posso até continuar tentando mas você vai ficar aqui enquanto eu escutar aquela música que você acha insuportável, ou quando passar por qualquer carro amarelo e me lembrar de você contando que é a cor de carro que mais odeia na vida. Eu vou te ouvir nos meus silêncios e te enxergar nas minhas escuridões. Então, eu meio que desisto. Esquecer você? Não vai rolar.
Eu queria dizer que eu sou um homem independente e, por isso, não dependo de você. Não dependo mesmo. Tenho braços, pernas, inteligência e força de vontade. Mas não é esse o ponto. Meu coração meio que depende de você para saber um pouco sobre os limites de querer bem uma pessoa. Ou sobre o poder que você tem de ser totalmente dispensável e, ainda assim, se fazer tão insuportavelmente necessário.
Você me abraça e o mundo faz sentido. Mesmo que girando para o lado contrário. Pode isso? E você me ensina, me arranca do chão, todas essas coisas que eu li nos romances água com açúcar que eu insisto em gostar. E a gente briga, e grita coisas sem sentido, e se machuca com palavras e tudo mais. Ainda assim, eu não consigo te odiar. Porque só de pensar em você muito tempo longe de mim, eu quase explodo.
Eu não quero dizer que é amor, porque eu já disse tantas vezes que era amor (e não era) que a palavra perdeu a força. Então, fica aqui o meu segredo mais sincero, minha declaração mais forte: é mais que amor. Bem mais.
É uma vírgula errada colocada no meio de um texto, é seu sorriso, sua respiração e o jeito que me faz rir em uma ligação qualquer no meio de uma madrugada cansativa. É mais que amor. É a liberdade de andar de camiseta e bermuda velha pela casa e saber que você não vai sair pela porta procurando alguém mais bonito. É saber que posso ficar doente e chato e insuportável, como sempre fico, e você vai ficar aqui ao meu lado, mesmo que para aguentar minhas patadas e minhas crises.
É saber que você não precisa nem nunca precisou de nenhuma declaração para me amar – e por isso mesmo é quem mais exige meu pulo do penhasco. Então, não é amor. Não é eu-amo-você. É só você. Qualquer coisa. Não amor. Não só amor. É simplesmente mais que amor. Muito mais.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Minha morte

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma amiga adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tempo


- Isso irá passar com o tempo.
Foi o que me disseram. Mas o tempo passou, bastante tempo por sinal, e isso ainda continua aqui. Assombrando-me.
Escrevo “isso” por não conhecer outra palavra melhor pra definir esta dor em meu peito.
Sim, ainda dói.
Sim, ainda sinto falta do passado.
E quando minhas lágrimas caíram, minhas pernas tremiam e meu mundo se tornava um caos, disseram-me:
- Isso irá passar com o tempo.
Mas é apenas uma mentira para que você se sinta momentaneamente bem. O tempo não é capaz de curar. Ele tenta te fazer esquecer, mas não é capaz de curar.
E no fim, eu continuo chorando todas as noites antes de dormir.
Eu ainda sonho com os dias que se foram.
Espero que você tenha superado isso melhor do que eu.


"Fingir feliz e te deixar para depois, e a cada dia que eu morrer, espero que você viva dois!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Absolutamente nada

Absolutamente nada. É o que me proponho para hoje.
Talvez não só para hoje, como para toda a vida.

Quero ter solidão, para quando tiver você, eu conhecer a plenitude do amor.

Quero a pobreza, para quando eu tiver onde morar, onde comer, onde meditar, eu me sinta a pessoa mais rica do mundo.

Quero a tempestade, com seus furacões e tornados arrasando casas e levando vidas, para só então depois eu poder me alegrar ao tomar um banho de chuva inocente no meio da noite, sem me importar com meus cabelos ou com a minha roupa.

Quero a guerra, com seus covardes soldados matando crianças e violando mulheres, torturando homens e bombardeando cidades inteiras, para que finalmente eu consiga ver o prazer imensurável de passar um dia em paz, deitado na relva e olhando o céu sem me preocupar.

Quero a morte, certa e rápida, para então viver meus últimos dias como sempre quis mas nunca me permiti.

Mas o que eu mais queria era conseguir enxergar o tudo que eu tenho sem precisar ter nada.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pedaços de mim

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos.

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão.

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci.

Eu sou
Amor e carinho constante
distraído até o bastante
não paro por um instante.


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não prometidas.

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar.

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei.

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Pequena conversa com o meu coração

Meu amor, tive uma conversa com meu coração...
Ele anda descompassado, rápido demais,
Anda ansioso
Tudo fazendo dentro de uma urgência desatinada.
Sentei com ele
Olhei para seus olhos sentimentais,
Observei sua respiração ofegante
E perguntei o motivo de tanta pressa...
Ele devolveu-me o olhar,
E falou com uma calma que
Enfrentava sua inquietude.
Bato mais rápido, ele me disse,
Pois que sendo mais apressado,
Eu faço o tempo passar mais ligeiro
E mais rápido eu fico perto de meu amor!!!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Adeus

As incessantes lágrimas que caiam dos seus olhos embaçam a sua visão. Seu coração ardia em chamas de medo. Sua respiração era extremamente ofegante.
"Um ato a se arrepender pela eternidade."
Todas as suas lembranças vieram lhe assombrar; felicidade, tristeza, amor, ódio, piedade entre outras. Reunidas para atormenta-lo. Mas nada podia para-lo.
Ele estava decidido, na verdade, ele precisava daquilo.
E da mesma forma que ele havia imaginado, a voz do seu subconsciente se fez ouvir.
E no fim só resta as cinzas. Pensei que você era diferente.
Você fez planos demais pra mim. Chegou o momento de tirar esse fardo das minhas costas.
O relógio tocava pela décima segunda vez.
Meia noite.
A lâmina em sua mão refletia o brilho da lua.
O sangue que escorria dos seus pulsos ceifava uma vida que não era mais sua.
E você acaba de se tornar aquilo que mais odeia.
Lágrimas ...
Por que chora?
Algo que ouvi uma vez. Se não consigo sorrir, só me resta chorar. Morte, cante pra mim dormir e nunca mais acordar.
Ela não poderá te ouvir. Nunca mais.
Mas ela irá sentir minha presença. A chama da minha paixão.
E o que dirá com o seu último sopro de vida?
Que sua vida seja bela e infinita. Que a beleza de seu sorriso cause inveja a Deusa mais linda. Após a mais terrível tempestade haverá um raio de esperança. Nunca deixe que eu seja apenas uma mera lembrança.

E dessa forma, ele entregou a ela o seu coração para que ela sempre se lembrasse do infinito amor que ele sentia.
Nunca se esqueça de mim.



Abel _____________________________ Requiescat in Pace

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Como se fosse o último texto

Vi muita gente durante minha caminhada reclamando da vida, e eu também, aqui ou ali, devo ter apresentando minhas queixas. Aquelas queixas que fiz para ninguém, nem para mim mesmo, a boca falando sozinha, eu próprio não acreditando em minhas palavras... Mesmo destas tolices, arrependo-me agora. Gostaria de ter usado este tempo para ter exaltado a natureza e a vida, tantas coisas que estavam ao meu redor ululando energia e eu reclamando de mesquinharias – tudo é tão pequeno quando a gente corteja qualquer coisa com a vida e todo o seu maravilhoso leque de possibilidades....

Eu agora não tenho muito tempo, se pensarmos bem, nunca o temos com fartura – Deus! Que mercadoria rara e maravilhosa é o tempo...

Gostaria de ter-me dado mais ocasiões para fazer as viagens que não fiz, ter ido com filhos que eu nunca terei à praia e as montanhas, rido com eles durante a viagem e lá, quando a água do mar molhasse os seus pezinhos lindos e eles sorrissem comemorando a areia, o sol e o horizonte farto de beleza, eu faria uma oração agradecendo o momento, por mim e por eles!

O pior desses momentos de revisita ao passado é que a palavra que sempre nos surge é o mais, pois tudo o que fizemos até aqui, quando o fim se desenha na nossa frente, parece pouco, inacabado, imperfeito. Talvez, seja apenas uma má impressão que nos fica pela ânsia de vida que temos e que nos é negada.

Tenho uma lágrima no rosto agora, e não queria que ela realmente estivesse aí. Não quero ficar os últimos momentos que tenho pensando no que poderia ter vivido e que tudo é injusto, pois ainda sou jovem e tinha muita coisa pela frente. Também não vou sair feito louco, gastando o que não tenho para fazer as coisas que nunca fiz até hoje, sou o que sou e mesmo no final serei honesto com minha personalidade.

Vou, isso sim, tentar ser melhor em alguns aspectos, tentando me preparar espiritualmente para uma nova fase que viverei em outro canto, em outra dimensão, quando for chegada a minha hora – tudo o que desejo realmente, que fica como louvor e escrito com meu sangue nessa hora que se veste de ponto de interrogação, é que minha vida tenha sido suficiente para me colocar na grande mesa celestial quando for chegado o momento do grande banquete. Eu quero estar lá... Quero estar lá!

E peço perdão, para quem ainda não pedi.

Perdoo, quem houver para perdoar, que se esqueceu ou mesmo não teve a capacidade de pedir – requerer o perdão é antes de tudo um ato de grandiosidade de espírito.

Aconselho que vivam sem se preocupar com materialidades, todas as futilidades são tolas. Não somos nada... Somos uma mentira que foi esquecida pelo universo dentro desse planeta. A verdade nos será ofertada, um dia, mas não agora... não agora...

Poderia falar muito mais, mas é desnecessário e o tempo, já disse antes, me é curto. Ainda tenho uns livros para ler, uns filmes para ver, umas conversas para pôr em dia, umas poesias para serem escritas, um alguém que eu queria tocar uma vez mais...

E, se amanhã, quando o sol acordar, ele não me ver em pé, fiquem sabendo todos vocês que, de minha parte, valeu a pena... Sentirei saudade de todos vocês, sentirei saudades da vida, sentirei saudades de mim...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Aos homens que amam as mulheres

Sei de homens que procuram fórmulas quase matemáticas para amar uma mulher – como se amá-las fosse um fator que pudesse ser inserido dentro de uma equação.
Não se ama uma mulher com uma receita debaixo do braço, não se faz através de um projeto qualquer e não encontrarás quaisquer peritos nesta missão dadivosa.
Amar uma mulher é algo único!
É um presente que recebes da vida, do destino, de Deus!
É uma permissão que recebemos delas, pois a elas cabem o cetro da concessão – no amor, elas que escolhem o momento para tudo, sem exceções, aos homens, cabe apenas a tentativa. O primeiro pegar de mão, o primeiro passeio juntos, a primeira troca de olhares, o primeiro abraço e beijo, a inédita noite em que farão amor, tudo, tudo será escolhido por elas.
Entendas, homem, que és apenas um coadjuvante nesta história de amor, às mulheres foram legados o papel de protagonistas.
Não procures ferramentas, portanto, para amar as mulheres, não as encontrará e tua busca será uma tolice.
Tu conquistarás tua mulher pelo jeito que a olhares, pela maneira como pegar sua mão, pelo carinho que embutires no primeiro beijo. Teu olhar, neste instante, deve ser tão doce e presente que ela o sentirá na pele; a eletricidade dele percorrerá todo o corpo feminino e seu coração disparará. Então a toques, como se tocasse o mais fino cristal, como se tocasse a mais fina seda que teceu a roupa dos anjos no céu, corra sua pele com sua mão e sinta o arrepio de cada poro daquela pele suave que Deus deu para cada mulher. Não seja apressado, sejas paciente, sorva este instante com um prazer inesperado, faça com que a pressa do querer dela seja maior do que a tua em fazer.
Fale baixo e diga o quanto ela é importante para você, o quanto ela te faz bem e é indispensável em tua vida. O volume não interessa, o fundamental é a força da sinceridade de tuas palavras.
Abrace-a, protegendo-a de tudo e de todos, aninhando-a nos braços, mostrando para ela que ali ela está segura e confortável.
Beije seus lábios, toque-os com os teus delicadamente. Ela deve sentir tua boca antes mesmo de você a tocar, faça isso, aproximando-se devagar, devagar, demorando-se neste gesto que deve ser longo e paciente o bastante – beijá-la será o céu, a aproximação será a certeza disso, prolongue a certeza e terás o maior dos paraísos.
E, quando se deitar para lhe fazer o amor, seja o mais carinhoso dos amantes, perca-se em toques e beijos, aqui e ali, lá e acolá, seja homem, tudo no momento adequado, despejando atenção para todas as sensações que ela, querendo ou não, estará entregando para você. Nessa hora, lembre-se, o mais importante é sempre ela, e não você!
Ame sua mulher nesta noite, e em todas as demais...

domingo, 2 de setembro de 2012

Dois

De noite, ele deixou-se levar...



Não me perguntes o que é maior nesta madrugada....
Se as saudades ou os desejos de voce....
Não saberia responder....



Ela, distante e atenta, respondeu:



Nada é maior que meus sentimentos por voce...
Nada pode ser maior!
Porque deles nascem as saudades e os desejos!
Envio-lhe todos os meus beijos numa suave brisa!



E, onde ele estava, fechou os olhos
E sentiu a brisa que vinha de longe... de longe...
E, recebeu os beijos, todos eles, um a um, nos seus lábios sedentos...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os escombros de agosto

Não se preocupe comigo, eu não sou ninguém!
Sou apenas o personagem no meio da tua poesia,
Sou a rima no meio da frase,
Sou o final da frase de efeito.
Sou agora somente o que fui...
E fui a carne de seus sonhos nas noites mais vermelhas,
Fui o espírito de tuas tardes mais quentes.
Não sou nada... Sou a danação e a condenação nas noites,
Sou um rascunho de absolvição em dias mornos.
Sou duas metades que não se juntam,
Não flerto com falsos pecados.
Sou inteiro na hora de meus erros.
O perdão não aponta seu dedo para mim.
Embebedo-me com o elixir da intensidade.
Entre todos os meus vinhos, o de melhor safra.
Entendas meus porres...
Eu me resgato todos os dias nadando num mar de desejo
Completamente despido de recato.
Me enxergo melhor no espelho de sua nudez feminina,
Não consigo querer se o querer é pequeno,
Se ele se suicida com as primeiras e segundas decepções.
Tentei me encontrar nos escombros de agosto,
Fui soterrado pelas ruínas de meu mais belo sonho.
Pesadelo...
Me acorde quando este pesadelo acabar....

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A primeira vez que vi seu rosto

Calem-se!
Encerrem todos os compromissos e
Avisem o outono que ele está destituído,
Posto que a primavera nasceu em minha vida.
Sonhos! Acabaram-se todos eles
Fulminados pela certeza de que até agora
Nada estava certo,
O errado repousa no melhor espaço
De meus jardins.
Cessem imediatamente suas gargalhadas
O som delas me soa profano
E quero o silêncio para brindar esta noite
E este momento com o sagrado.
Relógios! Atentem para meu comando
E epigrafem esta hora,
A eternidade quando enxergada pela
Consciência do universo verá
Sublinhado este momento.
Que ninguém mais morra, por alguns instantes!
Até a morte pare sua ceifa!
Que os canhões do mundo sejam silenciados
E as únicas explosões que se ouçam
Seja a salva de três tiros
Comemorando a violência domesticada.
De repente! O mundo se fez melhor,
Tudo se fez melhor,
E vejo com nitidez o que era turvo,
Encho de certezas o desconhecido.
Eu sempre acreditara que conhecera a beleza,
Tive mesmo a arrogância de imaginar que
A poesia sempre me fora uma amiga!
Mas as vi, ambas, pela primeira vez... Hoje... Agora!
Nesta noite, tudo mudou, vi a verdade,
Num relance mágico soube de meu futuro
Soube que tudo em mim era mentira
Soube que tudo em mim me preparara
Para este momento nesta noite...
Nesta noite...
Que foi a primeira noite que vi seu rosto!!!



*Texto escrito referente a primeira vez que eu a vi.

domingo, 26 de agosto de 2012

Desejo

As palavras saíram tortas... na voz, no sentimento.

O lençol umedeceu-se recepcionando palidamente as lágrimas que caiam fartas do seu rosto vincado pela dor.

Por que toda história de amor, questionou-se, tem de começar com um sorriso e ter um ponto final feito de sofrimento? “Será isso uma regra inquebrável, pelo menos para mim”? Insistiu em suas reflexões...

Era noite e a noite se vestia especialmente bela, como se pressentisse que algo especial haveria de ocorrer para eles...

Colocou de qualquer jeito a última camisa na mochila, pegou o perfume que ficava sempre na penteadeira, olhou seu rosto no retrato do espelho e viu um tolo... Tolo por ter começado algo que desde o inicio nasceu sob o signo do fracasso... Tolo por terminar algo que queria insistir...

Quis buscar mais justificativas, para partir, para ficar, não conseguiu, todas as desculpas que se dava estavam desafinadas com a verdade, a loucura brotava em todos os cantos de seu sossego, sua paz sangrava no meio de uma discussão que jamais conheceria vencedores, não queria mais acender velas neste totem.

Agiu conforme a consciência mensurando o tamanho da dor que deveria carregar dentro do seu peito, sangue, lágrimas e adagas seriam seu legado doravante... Escolheu o caminho que lhe pareceu que seria o mais correto, ainda que o correto usasse a mascara do mais feroz dos demônios.

Abriu a porta do apartamento... Partiu... Atrás de si ficaram muitos sonhos e um cálice de lágrimas derramadas nos lençóis lívidos e um beijo que deixou marcado na face dela que sentada na cama era mais uma triste espectadora deste espetáculo que sugeria tragédia...

Na rua, ele olhou a noite e tentou se convencer da única coisa que parecia real em toda esta história: Um homem, algumas vezes em sua vida, não deve fazer o que quer fazer e sim, o que precisa ser feito...

Pegou um taxi e este o levou para longe... longe... dela e de todas as coisas que queria amar e não podia...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O adeus

E agora, o que eu faço com teu adeus?
Onde o coloco?
Em quais gavetas de minha vida ele deve ser depositado?
Não sei o que faço com teu adeus... Não sei...
Não me ensinastes, nem me falastes destas coisas.
Não me educastes para viver sem você.
Me falastes de união, de sonhos, de esperanças, de amor,
Nada sei de adeuses e separações...
Deveria ter dito para mim, logo na primeira vez,
Que seria assim...
Que me diria adeus...
Que o sol esfriaria e que as flores perderiam o perfume,
Deveria ter dito que eu ficaria estéril para a poesia.
Deveria ter dito que eu conheceria o amor e o fazer amor
Em toda a sua plenitude rica de possibilidades,
Mas que um dia,
Em um dia qualquer amarelo e comum,
O amor fugiria de mim por uma fresta do destino,
Uma fratura em minha vida feita pelo teu adeus.
Adeus... Adeus... Adeus...
Dito pela mesma boca que cantou “eu te amo”,
Sussurrado pelos mesmos lábios que recitou poesias
E deu-me gemidos de prazer entre lençóis sensuais.
Não sei o que fazer com teu adeus... Não sei...
Ele não ilumina.
Não me ama.
Ele não me aquece.
Ele não me empresta poesia.
É um intruso. Instalou-se num canto nobre de minha vida,
Exibido, mostrando sua força destruidora.
Portanto, devolvo teu adeus.
Ele em nada me serve. Não o aceito.
Teu adeus me separa de você e, separar de você,
É algo que não cogito,
Não consigo imaginar-me sem voce.
Devolvo teu adeus, sonhando com tua volta.
Talvez, seja apenas uma ilusão de minha parte.
Devolver teu adeus, não necessariamente, eu o sei
Garantirá teu retorno para nosso jardim.
Mas, esta ilusão me acalma...
Teu adeus não, definitivo demais.
Com esperança, eu vivo!
Com teu adeus... Jamais!

Se for pra falar de possibilidades ...

Não vou falar mais de possibilidades...
Possibilidades são sementes que são jogadas em terrenos férteis de esperança.
Não tenho mais esperanças em relação a voce.
Desta forma, morreram todas as possibilidades.
Isto soa bruto e definitivo e assassina o futuro, mas, acredite, esta mesma verdade não vale para o nosso passado.
Este, permanece imaculado, lindo e brilhante como sempre foi, como sempre será.


Por isso não desejo falar de possibilidades.
Elas nada me dizem.
Elas não tranquilizam meu coração.
Com elas, finito meu sossego, reina a escuridão absoluta, aridez poética e de felicidade.
Quero sim falar de meu passado, é lá que tu estás!
Meu passado é uma grande mina de diamantes e cada lembrança sua é uma bela pedra que retiro já lapidada pelas constantes visitas.


No passado eu sou tudo para voce.
Não sou apenas uma lembrança em sua memória atarefada de responsabilidades.
E não te condeno de nada, nossa história não conhece bandidos, nem heróis, apenas as coisas são como são, além de nossas forças, nossos desejos, nossas vontades, e estes todos sempre foram grandes.


Talvez sejamos apenas títeres do destino.
Talvez agora alguém no Olimpo esteja gargalhando em estranho deboche, dizendo para os outros deuses que nosso amor é igual ao deles, mas por mais que tentemos não se completa.
Nosso amor é de deuses, mas a união é mortal, e, provavelmente, o divino não se mistura mesmo com o secular.


Sei que em algum lugar nesta terra tu choras agora e tua lágrima tem o sabor igual as das minhas.
Não repudio mais essa dor, e de uma forma mais que estranha eu me apaixono por ela.
O amor não foi forte o suficiente para nos manter unidos. Mas a dor, esta sim, com um breve estalar de dedos, nos juntou em seu colo e nos serve na boca o seu leite salgado ordenhado de minhas e tuas lágrimas.


Se é a dor que nos manterá juntos, de algum jeito, será pela dor que acenderei todas as velas doravante!


Mas, por favor, todos voces! Não me falem de possibilidades...

sábado, 18 de agosto de 2012

Cinza

O céu está cinza, refletindo exatamente aquilo que eu estou sentindo.

Apesar da dor e da saudade, prometi a mim mesmo não chorar mais.
Eu não quero mais lembrar, eu não quero mais ter esperanças de algo que nunca acontecerá.
Você já ficou esperando por uma ligação que você sabia que não receberia? Esta noite eu abdiquei do sono pra poder esperar.

O céu está cinza, refletindo exatamente aquilo que eu estou sentindo.
Espero que a chuva caia logo, assim poderei mentir pra mim mesmo dizendo que o que está caindo dos meus olhos não são lágrimas.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A mais bela escrita

Era o mais belo sorriso do mundo, entre os mais ternos carinhos do mundo, e o beijo mais doce do mundo, ambos aqui letrados, narrados e descritos com a tinta mais simples que há, no papel mais comum já feito para o mais belo olhar de todos. E neste emaranhado, onde o belo e o trivial se completam chego eu a meu lugar na história. Não assim só meu, meu eu digo a ação, sim porque estive a por o sorriso do rosto, a ganhar o afago da mão e a ser adocicado pelo inesquecível beijo.

Sei, de absoluto, quem será a primeira a ler o texto. Sei ainda quem serão os outros, mas estes são apenas terceiros. A eles, não me dou; disponho-me apenas à primeira. Desafio-me a prever se ela, enquanto compreende meu texto, não tece um sorriso; se sim, desafio ganho, este será o sorriso mais bonito que este ano verá. É por ela, só por ela, que me ofereço de regozijo, ao não-temer o sentimento, acaso nela não venha a existir jamais. Mas agora vamos ao assunto que dá nome ao titulo do que escrevo aqui, Quanto ao texto, pode ser que o título seja pretensioso demais, haverá outros melhores, mas nenhum cuja certeza é maior do que a minha ao valer-me do papel e da tinta para escrevê-lo.

A pretensão que o molda e a razão que o faz existir transformam esse texto no mais belo do mundo. E quem vier de encontro – não ao texto, mas à minha convicção ao tecê-lo – o faz porque nunca beijou lábios tão doces, nunca foi alvo de carinhos tão vivos e sequer foi observado através de olhos tão belos. Àqueles, meu texto não será nada além de um texto qualquer; a outros, pode ser inspiração; a ela, será o meio de fazer seu coração bater um cadinho em compasso com o meu, quem sabe.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Nunca mais

Parece um sonho surreal.
Ouvir sua voz chamando meu nome. Olhar em seus olhos e admirar seu sorriso. Mas não poder lhe tocar.
Sentir seu perfume invadindo o ar. Seus doces labios a me provocar. Mas não poder lhe tocar.
Acredito que esta noite os pesadelos irão voltar. E ao acordar assustado e com lágrimas nos olhos, voce nao estará lá para me amparar.

A chama de esperança que queima em meu peito está se extinguindo e eu já não tenho mais combustível para alimenta-la.
As vezes sinto inveja dos mortos. Eles não sentem mais dor.
Alguém seria capaz de me ajudar?
Alguém poderia arrancar este sentimento do meu coração?

Eu não quero mais amar. 
Nunca mais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fim

Ela abriu a porta da sala, pegou sua mala e se foi. É escuro. Aos poucos sua imagem foi se tornando uma silhueta muito bonita dentro da neblina fria. Era frio. Ela estava agasalhada, eu sei. Mas o instinto fez uma lágrima escorrer.

Respire.
Talvez ela quisesse uma companhia
Talvez ela estivesse implorando um abraço. Eu dei. Às vezes mentalizar o abraço chega a ser mais forte que materializá-lo. Será que ela mentalizou também?
Não gosto de abraçar sozinho.